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Doença
Compreender o cancro colorretal

A maioria das pessoas fica sem reação ao ouvir este diagnóstico pela primeira vez. Este artigo tem um objetivo simples: ajudá-lo a perceber algumas noções básicas, para que possa fazer perguntas úteis na próxima consulta.
O que faz o intestino grosso
Depois de o estômago e o intestino delgado digerirem e absorverem os alimentos, o que resta passa para o intestino grosso. A sua função principal é absorver água, transformando gradualmente um conteúdo líquido em fezes formadas.
O intestino grosso tem cerca de metro e meio: ceco, cólon ascendente, cólon transverso, cólon descendente, cólon sigmoide e, por fim, reto e ânus. Um tumor noutra localização dá sintomas diferentes e trata-se de outra forma — por isso o seu médico dá tanta atenção ao sítio exato.
Como o cancro se desenvolve
A maioria dos cancros colorretais começa como um pequeno pólipo benigno e altera-se lentamente ao longo de vários anos. Como o processo é lento, há oportunidade de o remover por colonoscopia enquanto ainda é um pólipo.
A formação de pólipos relaciona-se com a idade, a alimentação, a obesidade, o tabaco, o álcool e a falta de exercício, e em parte com a hereditariedade. Na maioria dos doentes não é possível identificar uma causa única. Não gaste as suas energias a culpar-se.
Sintomas frequentes
- Alteração dos hábitos intestinais: obstipação, diarreia ou alternância entre as duas.
- Sangue nas fezes ou fezes mais escuras.
- Fezes mais estreitas.
- Dor abdominal ou inchaço.
- Perda de peso inexplicada.
- Cansaço e palidez por anemia.
Algo a ter presente: na fase inicial muitas vezes não há qualquer sintoma. Quando os sintomas são evidentes, o estádio é frequentemente mais avançado. É essa a razão de existir rastreio.
Que exames são feitos
O diagnóstico exige normalmente vários exames, cada um com a sua função:
- Colonoscopia — vê o tumor diretamente e colhe uma amostra de tecido. É assim que o diagnóstico é confirmado.
- Exames de imagem — TC ou RM, para avaliar até onde o tumor cresceu e se se estendeu a outros órgãos. O cancro do reto exige habitualmente imagens mais detalhadas.
- Análises de sangue — incluindo marcadores tumorais, sobretudo como referência antes e depois do tratamento.
O que significa o estádio
O seu médico determina o estádio a partir de três elementos: a profundidade a que o tumor cresceu na parede intestinal, o envolvimento dos gânglios próximos e a extensão a outros órgãos.
O estádio orienta o plano de tratamento, mas é o ponto de partida, não o desfecho. Dois doentes no mesmo estádio podem evoluir de forma muito distinta, consoante as características do tumor e a resposta. Concentre-se no que vem a seguir em vez de procurar taxas de sobrevivência na internet: são dados recolhidos há anos e não foram calculados para si.
Como é tratado
- Cirurgia — o tratamento principal para a maioria dos doentes. Além da cirurgia aberta, há abordagens minimamente invasivas, como a laparoscopia e a cirurgia robótica da Vinci. A escolha depende da localização e extensão do tumor e do seu estado geral.
- Quimioterapia — fármacos que atuam sobre células tumorais que possam já ter-se disseminado mas ainda não se vejam nos exames. Alguns doentes fazem-na depois da cirurgia, outros antes.
- Radioterapia — usada sobretudo no cancro do reto, muitas vezes em conjunto com quimioterapia, para reduzir o tumor, aumentar a probabilidade de uma resseção completa e diminuir a recidiva local.
- Terapêuticas dirigidas e imunoterapia — a indicação depende dos estudos genéticos e moleculares do tumor. É por isso que se aguardam os relatórios de anatomia patológica e de genética depois da cirurgia.
Três perguntas frequentes
«Vou ficar com um estoma?» Não necessariamente. Depende de onde está o tumor e de ser possível preservar o esfíncter anal. Há ainda diferença entre estoma temporário e definitivo; o temporário pode geralmente ser encerrado ao fim de alguns meses. Pergunte ao seu cirurgião qual é o seu caso.
«Os meus filhos vão herdar?» Habitualmente não. Mas se a doença surgiu numa idade jovem, ou se vários familiares a tiveram, o seu médico pode propor estudos adicionais e organizar o rastreio dos familiares.
«Posso ter uma vida normal durante o tratamento?» A maioria consegue. Trabalho, alimentação e exercício podem em grande parte continuar, ajustando o ritmo. As limitações concretas dependem do tratamento que está a fazer.
Cada doente é diferente e este artigo apresenta apenas princípios gerais. Os seus exames e o seu tratamento devem seguir as indicações do seu médico.